quarta-feira, 9 de abril de 2014

O que faltou Cartola dizer..

"Teves outro grande amor depois do meu, teves sim. Triste seria querer tua vida toda só pra mim. Aceitar isso é quebrar as grades do apego, é estufar o peito e voar livre, por saber que te libertei.."

Na verdade esse poema nunca tinha feito tanto sentido quanto nos últimos momentos. Senti que não posso cobrar coisas que fogem do normal em dada situação, senti que mesmo que ambos sintam a mesma coisa, nem sempre tudo dá certo e nem por isso quer dizer que deu errado. Senti que deixar alguém livre pra ser feliz com outra pessoa, não quer dizer que você não se importa, pelo contrário, quer dizer que você se importa mais do que várias pessoas, querer o bem de quem se gosta, é gostar de verdade.

Deixe-se livre para apreciar a felicidade de alguém que já estivera ao teu lado, assim como um dia vão apreciar a sua felicidade quando ela chegar.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nós desatando os nós

E enquanto você acredita em algo, está tudo bem, tudo é possível, você se empenha, continua fixo no seu proposito. Mas o que ninguém fala, sobre o que ninguém escreve pra você, é quando a corda começa a arrebentar, quando você tem que deixar que o seu sonho se vá, porque a verdade é que ninguém gosta de assumir ter perdido seu sonho, sua ambição, seu proposito. Não é fácil, exige tempo, coisa que não tem como apressar, por isso o processo é meio doloroso, porque é as poucos que você vai sentindo na mesma intensidade. O que ninguém fala, é quando percebe que deve-se deixar que a esperança de amor se vá.
Depois que você se dá conta de que o nó não é mais nó, que não ata mais, só desata, que não emaranha a linha só desanda, então, não tem volta tão cedo, só segue sem acreditar ou pior, até desata o nó e larga a linha ao vento. Gostar de alguém é maravilhoso, mas gostar de si, é muito mais. Não é egoismo, mas amor próprio. Não é exagero, é realidade. Ache uma linha que se ate, se desate, mas que volte a se atar de novo, porque amor é assim, ele brinca com nossa coordenação, até cansa, mas nos prende.

Boa noite, enquanto isso, vou tentando atar minha linha.

sexta-feira, 22 de março de 2013

"Falling in love again"

Sorrimos juntos, trocamos olhares durante a noite toda e o olhar dele me chamava, era aceso, firme, provocativo mas ao mesmo tempo me passava serenidade. Sem jeito em uma situação como essa, fazia tanto tempo, levava os dedos pelo cabelo passando-o para trás, fazendo meu jogo, ria com as garotas, bebia alguma coisa, mas sempre achava uma forma de voltar a olha-lo. E lá estava ele, me olhando, sabe quando o coração fica a  mil e você não sabe bem o que fazer, mas fica ali, fazendo o jogo? Então ele sorriu, e sem perceber sorri junto, não pensei em nada naquela noite, porque mesmo que os dois possam esperar coisas diferentes da noite, era uma noite longa, e eu tinha tempo bastante pra gastar, queria gastar. Como desculpa pra ele me encontrar sozinha, fui ao bar, sem olhar pra ele mas com a esperança de que me seguisse, afinal, quem nunca fez isso? Mas então peguei o drinque e saí, voltando para perto das garotas, nesse meio tempo, senti um arrepio, uma mão quente tocando de leve a minha, olhei pra trás e ali estava ele de novo.
 Logo a lembrança saiu de cena e encarei nosso retrato juntos com um meio sorriso, sentia sua falta, falta do seu sorriso sobre tudo, devolvi o retrato à estante da sala devagar, pensando que naquela noite conheci alguém inimaginável e que sair de casa foi a melhor coisa que fiz, e após ter partido, agora era a primeira vez em que tinha coragem para sair novamente, fui ao jardim, não foi nenhuma viagem, mas foi um passo, que independente de onde, sei que ele me quer feliz, assim como me fez durante tanto tempo..


domingo, 17 de março de 2013

Estando por estar

Ainda não sei que dia é hoje, nem de que hora se aproxima, só estou me guiando pelo cair brusco do sol e pela corrente cortante de ar gelado que enche a casa. Mas sei que logo o sol vai voltar a dar suas faces, acariciando minha bochecha que com facilidade cora, se sobrepondo em minha mão branca e gelada. E é tão bom, isso de saber que logo o sol vai voltar, como um sinal de recomeço, um alerta de vida rotacionando, um chamado pra sair da área de conforto. Relógios marcam a hora, não o tempo, aprenda isso e nunca se sentirá com pouco tempo pra coisas demais a se fazer. Mantenha-se aquecido durante a queda do sol e tranquilo com a certeza de que logo ele vai chegar. Você lê muito sobre ele por mim, é, eu realmente gosto dele, mesmo que a noite seja envolvente, reflexiva. Enquanto lhe falo sobre minhas preferências sem antes ter me dado conta, mantive todo o tempo os olhos fixos e a concentração toda voltada ao meu desvaneio com muita convicção. A incerteza pode ser boa, mas não quando se trata de quem somos, do que afirmamos e de quem queremos ser. Sorrio ao pensar que talvez seja um jogo de não passar despercebido e o truque está em que não há uma jogada ou plano, só há a certeza que levamos pra nossa vida, leve ela pra sua. Escorada na janela te vejo ir e espero que tenha me escutado.

"As vezes não estamos olhando pro nada, estamos apenas pensando em tudo.."

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Visões

Meus passos eram distraídos, a cabeça cheia de atarefações, sentia a garganta explodir em meio a tanta gente que passava por mim, gente que não me conhecia e que eu jamais vira, estranhos sempre nos rodeiam em algum momento e naquele eu me sentia sozinha, até o sol havia me deixado e a lua perseguia meu andar, guiava meus pensamentos, olhei o relógio e sabia que já estava andando a muito mais do que queria, mas precisava continuar. Virei a esquina olhando com desconfiança para o outro lado da rua completamente vazia, apertava minhas mãos em punhos com os braços cruzados sobre o peito, quando olhei a frente, parei de súbito, te enxerguei a dez passos de mim, você com um meio sorriso me encarava, atônita fiquei imóvel, atravessei a rua em passos rápidos sinalizando com a mão para o taxi que passava, ele parou pra mim, sem pensar duas vezes entrei e dei meu endereço, quando olhei pelo vidro você tinha sumido, ido embora, e como era possível ter voltado? Como e de tal maneira tão perto? Logo que cheguei em casa larguei as chaves no sofá passei pela estante e resolvi voltar a ela, pegando em mãos o nosso retrato, aquele, de quando você ainda estava comigo, ainda estava aqui, ainda estava vivo fisicamente. Como podia? Minha mente havia se conturbado? Talvez a loucura seja fim de quem ama. Você não havia desaparecido e nunca iria, podia sentir isso, com a mais absoluta certeza, assim como sentia sua falta e não sabia se ver você esporadicamente sem te tocar era bom ou ruim, por mais absurdo que parecesse, talvez eu amasse essa loucura, amasse te ver mais uma vez..


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sincronia

Liguei a luz, com ela veio a certeza de que fevereiro deixava evidente o ritmo acelerado que minha vida tinha assumido e ainda iria assumir.
O calor da estação não era o bastante para substituir todo calor que minha alma pedia agora.
Sábado ao contrário de um dia boêmio, virara dia de reflexão, pensamentos e questões a serem respondidas. Minha cabeça ainda rodava sem saber se as coisas caminhavam como eu queria. Enquanto me apoiava levemente na parede lateral do quarto fechei os olhos na tentativa de aliviar o agitamento da minha mente que não conseguia parar de correr em volta dos meus passos. Imaginei a praia, deu quase pra sentir a brisa do fim de tarde tocando o rosto, ou então a areia molhada enquanto ia me aproximando da água que de dez em dez segundos me alcançava e eu sentia como se tudo estivesse resolvido, puro e tranquilo. Respirei fundo e novamente abri os olhos ainda com um meio sorriso. Não gostava tanto de mudanças, mas também não conseguia me distanciar delas. Perseguição, aventura, não sei o que era, mas precisava mudar sempre, preciso, só assim se evoluí, ou se machuca, ou se fortalece, mas se evolui. Desliguei a luz com a convicção de que mesmo não sendo fácil, algo bem lá no fundo arrancava o medo, a incerteza, e dizia que vai se realizar. A vida vai se realizar.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Completamente fora do eixo

E já não chovia, mesmo assim o tempo continuava nublado aos meus olhos. Minhas mãos pouco a pouco empurravam os lençóis, nunca fora de usar lençóis pois afinal para que servem se não uma barreira a mais, sempre pensei assim, mas ele gostava e no instante de cada vez tentar reclamar deles exalava seu cheiro e tornava-se inútil qualquer tentativa de balbuciar reclamações tolas. Não conseguia me levantar, na verdade não queria, mas a luz da janela pequena ao lado esquerdo de sua cama me deixava desperta procurando pelos mesmos olhos de ressaca que horas atrás encaravam os meus. Não encontrei pelo pouco que olhei da cama ao quarto e corredor. Ele sempre fazia isso, levantava mais cedo, acho que como alguma espécie de tática pra me deixar sempre esperando por sua volta. Então acordei, de verdade.